Sempre falo em minhas aulas da importância do domínio de
vocabulário como solução para vários problemas de comunicação. Seja para tentar ser mais preciso, (mas, que fique claro, nem sempre o que se
fala é o que o outro entende) seja para ter a possibilidade de escapar das
situações de dúvidas ortográficas substituindo uma palavra por outra.
Do ponto de vista discursivo, não há
sinônimo perfeito, dizer “pessoa obesa”, “pessoa gorda”, “pessoa com
sobrepeso”, “pessoa fofa”, não são a mesma coisa, assim como não são a mesma
informação “o garoto caiu”, “o guri caiu”, “o piá caiu”, “o moleque beijou o chão”, “o pivete caiu”...
Discurso é esse matiz da comunicação, a revelação além das palavras. Acaba-se revelando a naturalidade do falante
(se ele é do sul, do nordeste...) ou a
relação subjetiva (pessoal) com o ocorrido.
Tratemos também da imprecisão dos
termos e expressões ou equivalente, como dizia minha professora, em momento de
surpresa “Virgem Maria!” e “Puta que pariu!” podem ter a mesma equivalência de
surpresa.
O mesmo
não acontece com os usos de outros xingamentos ou expressão de surpresa. Em uma
situação de trânsito, por exemplo, como ofensa se refere à sexualidade, mas o
correto, para a infração ou erro seria dizer “Seu imprudente!”
Temos ouvido muitas críticas à
presidência da Petrobrás, mas ressaltam
suas características físicas, adjetivando-as, comparando-as personagens
negativas. Poucos falam de seus atributos como gestora, o que seria o coerente.
O mesmo tem ocorrido nos comentários sobre o Nestor Cerveró e até mesmo sobre o
ex-presidente da república. Há um termo em voga: o “politicamente correto”,
hoje é inaceitável exigir numa seleção de empregos “boa aparência”; ou
interjeições do tipo: “tinha que ser mulher no volante!”. Outras expressões
depreciativas ainda são aceitas, mas são coerentes com o que se quer expressar?
A escolha de uma palavra, mesmo de um
forma inconsciente, se não revela as concepções ideológicas do falante, pode revelar as concepções de uma cultura, de uma época
ou de um grupo. Continuaremos a pensar sobre isso... ( Janeiro 2015)