sábado, 11 de julho de 2015

SE ESSA RUA FOSSE MINHA, EU MANDAVA NOMEAR


Caro leitor, já pensou no que há por trás do nome: da sua rua, do seu bairro, do seu estado, do seu país? E não estou me referindo aos aspectos legais que implicam a oficialização de um nome e o legitimam, mas nos aspectos culturais retomados implícita e explicitamente....
Um dos mais importantes linguístas, ou seja, estudiosos da língua, Saussure, tem uma das premissas assim resumidas “o signo é arbitrário”, ou seja, o nome de algo, em sua origem, não tem nenhuma relação com a coisa nomeada. Em grande parte isso é verdade, pois se compararmos um nome em várias línguas constataremos diferenças, demonstrando: o nome não é a coisa. “Borboleta”, por exemplo, em inglês, é “butterfly”, que significaria literalmente “manteiga voadora”. Mas, ao mesmo tempo, o nome (signo linguístico) tem uma motivação e associação histórica, geográfica, revelando uma “maneira de ver o mundo”. Ou ainda, de homenagear, descrever ou registrar “na” e “a” cultura.
“Brasil”, que ganhou esse batismo português, por causa da árvore “pau-brasil”, era “Pindorama”, em um dos idiomas indígenas dos povos que aqui habitavam, e significava “terra das palmeiras”. Temos muitas cidades com o radical “ita”, em referência ao mineral “pedra”; uma delas “Itapecerica”, vizinha de nós. Nossa região, “Interlagos”, tem esse nome por ser “entre lagos”, entre a Bilings, nome em homenagem ao engenheiro, e Guarapiranga, que significa, em tupi, segundo alguns dicionário, “lamaceiro, barreiro”e“guará vermelho”.
O predomínio de nome de santos remonta à tradição católica, herança portuguesa. Instigante mesmo é quando trocam o nome, mas os falantes fazem sua escolha, referindo-se ao nome antigo, fazendo-o presente. A Avenida Robert Kennedy, durante muito tempo era ainda chamada de Avenida Atlântica, precedida pelo adjetivo “antiga”, voltando a ter oficialmente esse nome em 2010. Interessante também quando a nomeação segue um padrão:
O bairro Vila Natal tem predominantemente como nome de ruas frutas e o termo “natal”; o Jardim Santa fé e Campinas têm como nome dos logradouros as constelações. Gosto de nomes que aludem à natureza, como Jardim Sabiá, Parque das árvores, mas tenho medo de que um dia sejam apenas referência a algo em extinção, registro do que houve, não do que há em abundância, principalmente em relação ao nome “Interlagos”. Cuidemos!