Caro leitor, já tratamos em colunas
anteriores sobre como a língua sofre transformações. Séculos atrás, havia
poucas palavras, pois havia poucos objetos e sentimentos a denominar. Hoje,
devido à existência de tantas coisas para se nomear, e a enormidade de
informações (ressaltemos a diferença entre conhecimento, tema de outra coluna),
há uma redução das palavras para que haja agilidade, isso quando não há uma
troca por símbolos, signos não-verbais como placas e agora os emoctions, tão
usados nas “conversas” via rede sociais.
No entanto, antes de falar da redução, falemos
da extensão. Na década passada, e ainda no presente, critica-se o “gerundismo”
que é um uso desnecessário do gerúndio e, geralmente, uma expressão com três
verbos que poderia ser substituída por um verbo só. Exemplo: “Eu vou estar fazendo”, poderia ser trocado por “farei”.
É claro que, no caso de alguém
não querer se envolver, e esse acaba sendo um efeito discursivo do gerundismo,
o “eu vou estar atendendo”, “eu vou estar fazendo” são uma maneira de não afirmar e não se comprometer com o que foi solicitado ou dito.
Por outro lado, por mais que
defendamos o respeito ao falante, na língua formal, tal uso demonstra o não
cuidado com a língua como imagem pessoal, pois uma redução da expressão seria o
mais adequado, considerando a norma culta. “Eu farei”, “Eu atenderei”,
substituiriam as expressões anteriores. Mas atenção, o gerundismo é o uso
incorreto, mas o gerúndio é uma forma verbal existente, significa uma ação ou
estado em duração. Em frases como: “Amanhã neste horário eu estarei comendo”, está
correto. Porém reiteremos: é
desnecessário dizer “Eu vou estar comendo”.
Mas voltemos à proposta inicial do
texto, que é a redução e a modificação das palavras. Se antes tínhamos locuções
verbais, ou seja, a presença de dois verbos ou verbos associados a pronomes
(mesóclise), agora percebemos a mudança dos tempos verbais, o uso da conjugação
errada. Verbos que deveriam estar no futuro, são conjugados no presente.
Muitos, ao invés de dizerem “Mais tarde eu
ligarei, farei, deixarei...”, dizem: “Mais tarde eu faço, eu ligo, eu deixo. Todavia, o que tem mais me
chamado atenção é uso da expressão “fui!”,
termo no pretérito, em que a pessoa anuncia estar indo sem ainda tê-lo feito. É
um rompimento, um ponto final a uma conversa. Voltaremos ao assunto, mas por
enquanto, “FUI!”