quinta-feira, 10 de novembro de 2016

Falando Mais com Menos?


 Caro leitor, já tratamos em colunas anteriores sobre como a língua sofre transformações. Séculos atrás, havia poucas palavras, pois havia poucos objetos e sentimentos a denominar. Hoje, devido à existência de tantas coisas para se nomear, e a enormidade de informações (ressaltemos a diferença entre conhecimento, tema de outra coluna), há uma redução das palavras para que haja agilidade, isso quando não há uma troca por símbolos, signos não-verbais como placas e agora os emoctions, tão usados nas “conversas” via rede sociais.

 No entanto, antes de falar da redução, falemos da extensão. Na década passada, e ainda no presente, critica-se o “gerundismo” que é um uso desnecessário do gerúndio e, geralmente, uma expressão com três verbos que poderia ser substituída por um verbo só.  Exemplo: “Eu vou estar fazendo”,  poderia ser trocado  por “farei”.  É claro que,  no caso de alguém não querer se envolver, e esse acaba sendo um efeito discursivo do gerundismo, o “eu vou estar atendendo”, “eu vou estar fazendo” são  uma maneira de não afirmar e não se  comprometer com o que foi solicitado ou dito.

Por outro lado, por mais que defendamos o respeito ao falante, na língua formal, tal uso demonstra o não cuidado com a língua como imagem pessoal, pois uma redução da expressão seria o mais adequado, considerando a norma culta. “Eu farei”, “Eu atenderei”, substituiriam as expressões anteriores. Mas atenção, o gerundismo é o uso incorreto, mas o gerúndio é uma forma verbal existente, significa uma ação ou estado em duração.  Em frases como:  “Amanhã neste horário eu estarei comendo”,  está correto. Porém reiteremos: é  desnecessário dizer “Eu vou estar comendo”.

Mas voltemos à proposta inicial do texto, que é a redução e a modificação das palavras. Se antes tínhamos locuções verbais, ou seja, a presença de dois verbos ou verbos associados a pronomes (mesóclise), agora percebemos a mudança dos tempos verbais, o uso da conjugação errada. Verbos que deveriam estar no futuro, são conjugados no presente. Muitos, ao invés de dizerem “Mais tarde eu ligarei, farei, deixarei...”, dizem: “Mais tarde eu faço, eu ligo, eu deixo. Todavia, o que tem mais me chamado atenção é uso da expressão “fui!”, termo no pretérito, em que a pessoa anuncia estar indo sem ainda tê-lo feito. É um rompimento, um ponto final a uma conversa. Voltaremos ao assunto, mas por enquanto, “FUI!”

quarta-feira, 5 de outubro de 2016

A globalização ea língua (o inglês na íngua portuguesa do Brasil)


Não se pode falar de uma língua sem falar das línguas que contribuem com o vocabulário ativo. Muitos entendem a globalização como algo contemporâneo, mas as culturas sempre tiveram contato uma com as outras e uma das contribuições dessa interação é linguística.

A língua portuguesa no Brasil, portanto, difere-se da língua falada e escrita nos outros países lusófonos exatamente pelas interações diferentes com outras culturas, ou seja, fatores históricos e geográficos influenciam, como já afirmamos. Na verdade, a língua portuguesa nem sempre foi a língua pátria do Brasil, já que havia aqui os nativos, que falavam tupi e outras línguas indígenas. A própria língua portuguesa é uma variação do latim. Em cada país em que se fala língua portuguesa há suas características específicas, por isso tantas palavras no Brasil se diferem de Portugal, do país asiático e dos países africanos.

Mas passemos à proposta da crônica, que é abordar o estrangeirismo. Atualmente é comum no Brasil termos várias palavras oriundas da cultura americana. Essa cultura e a influência tecnológica (linguagem da internet) trouxeram consigo várias palavras que foram incorporadas ao português, aportuguesadas ou apropriadas. Palavras como "internet","facebook", "notebook", "skype", "site", entre outras; "shopping", "feeling", "hall", "closet", " fast food", "self service" são exemplos, sem deixar de comentar a incorporação de nomes próprios que perdem até a característica etimológica. O item "son", dos nomes significa em inglês "filho", mas no Brasil perdeu esse significado, assim "Anderson", "Jeferson", "Davison" não significam filho de "Ander", de "Jefer", de "Davi".
Mas não é só o inglês que está incorporado ao vocabulário. Sendo o Brasil tão receptivo aos imigrantes, recebe também sua cultura. Quem não conhece "pizza", "sushi", " esfirra"?

quinta-feira, 15 de setembro de 2016

Os porquês: por que e para quê?


Já  tratamos anteriormente nesta coluna sobre os parônimos, palavras com escrita e\ou pronúncia parecidas, mas com significados e usos distintos. Alguns  dos termos que causam mais dúvidas, quando não indignação e revolta (Por que o português é tão difícil?, questionam alguns) são os porquês. E por quê? Pois bem, expliquemos. O uso mais fácil é o do “por quê” com acento. Separado, seu uso é no final das frases em questionamentos,  como no exemplo: “Você não veio ontem, por quê?”. Esse acento é devido à inflexão. Já quando está junto é substantivo, por isso deve ser precedido por um termo determinante, um artigo ou pronome e pode ser substituído por “motivo”, “razão”: “Quero saber O porquê das coisas” (Quero saber a razão das coisas)

Muita gente considera fácil a utilização do “por que” separado, como padrão, no começo de perguntas. De fato, esse é UM dos usos, mas em frases declarativas, em que se pode substituir por “pela qual” (e plural), o “por que” é separado. Observe  usos corretos: “Por que você não veio ontem?” (Constate que é  mesma oração anterior, mas com ordem diferente do “por que”) e “Só eu sei as esquinas por que passei” (Só eu sei as esquinas pelas quais passei).

Já “porque” junto é sinônimo de “pois”, por isso utilizado nas declarativas, nas justificativas, como em: “ Não vim porque não foi possível”. Mas atenção às “pegadinhas”, devemos estar atentos aos sentidos dos enunciados. Em “ Você não veio porque ficou doente?” Embora haja um questionamento o “porque” não questiona o todo, há uma afirmação e é sinônimo de “pois”.
Outra reflexão importante é a diferença que a troca dos porquês em sentenças semelhantes pode causar: “Ele não explicou porque estava de boca cheia” é diferente de “Ele não explicou por que estava de boca cheia” e diferente de “Ele não explicou o porquê de estar com a boca cheia”.Você consegue reescrever essas frases com outras palavras?