Já tratamos anteriormente nesta coluna sobre os
parônimos, palavras com escrita e\ou pronúncia parecidas, mas com significados
e usos distintos. Alguns dos termos que
causam mais dúvidas, quando não indignação e revolta (Por que o português é tão difícil?, questionam alguns) são os
porquês. E por quê? Pois bem, expliquemos. O uso mais fácil é o do “por quê”
com acento. Separado, seu uso é no final das frases em questionamentos, como no exemplo: “Você não veio ontem, por quê?”. Esse acento é devido à
inflexão. Já quando está junto é substantivo, por isso deve ser precedido por
um termo determinante, um artigo ou pronome e pode ser substituído por
“motivo”, “razão”: “Quero saber O porquê
das coisas” (Quero saber a razão das
coisas)
Muita
gente considera fácil a utilização do “por que” separado, como padrão, no
começo de perguntas. De fato, esse é UM dos usos, mas em frases declarativas,
em que se pode substituir por “pela qual” (e plural), o “por que” é separado.
Observe usos corretos: “Por que você não veio ontem?” (Constate
que é mesma oração anterior, mas com
ordem diferente do “por que”) e “Só eu sei as esquinas por que passei” (Só eu sei as esquinas pelas quais passei).
Já
“porque” junto é sinônimo de “pois”, por isso utilizado nas declarativas, nas
justificativas, como em: “ Não vim porque não foi possível”. Mas atenção às
“pegadinhas”, devemos estar atentos aos sentidos dos enunciados. Em “ Você não
veio porque ficou doente?” Embora
haja um questionamento o “porque” não questiona o todo, há uma afirmação e é
sinônimo de “pois”.
Outra reflexão
importante é a diferença que a troca dos porquês em sentenças semelhantes pode
causar: “Ele não explicou porque estava de boca cheia” é diferente de “Ele não
explicou por que estava de boca cheia” e diferente de “Ele não explicou o
porquê de estar com a boca cheia”.Você consegue reescrever essas frases com
outras palavras?
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