quinta-feira, 15 de setembro de 2016

Os porquês: por que e para quê?


Já  tratamos anteriormente nesta coluna sobre os parônimos, palavras com escrita e\ou pronúncia parecidas, mas com significados e usos distintos. Alguns  dos termos que causam mais dúvidas, quando não indignação e revolta (Por que o português é tão difícil?, questionam alguns) são os porquês. E por quê? Pois bem, expliquemos. O uso mais fácil é o do “por quê” com acento. Separado, seu uso é no final das frases em questionamentos,  como no exemplo: “Você não veio ontem, por quê?”. Esse acento é devido à inflexão. Já quando está junto é substantivo, por isso deve ser precedido por um termo determinante, um artigo ou pronome e pode ser substituído por “motivo”, “razão”: “Quero saber O porquê das coisas” (Quero saber a razão das coisas)

Muita gente considera fácil a utilização do “por que” separado, como padrão, no começo de perguntas. De fato, esse é UM dos usos, mas em frases declarativas, em que se pode substituir por “pela qual” (e plural), o “por que” é separado. Observe  usos corretos: “Por que você não veio ontem?” (Constate que é  mesma oração anterior, mas com ordem diferente do “por que”) e “Só eu sei as esquinas por que passei” (Só eu sei as esquinas pelas quais passei).

Já “porque” junto é sinônimo de “pois”, por isso utilizado nas declarativas, nas justificativas, como em: “ Não vim porque não foi possível”. Mas atenção às “pegadinhas”, devemos estar atentos aos sentidos dos enunciados. Em “ Você não veio porque ficou doente?” Embora haja um questionamento o “porque” não questiona o todo, há uma afirmação e é sinônimo de “pois”.
Outra reflexão importante é a diferença que a troca dos porquês em sentenças semelhantes pode causar: “Ele não explicou porque estava de boca cheia” é diferente de “Ele não explicou por que estava de boca cheia” e diferente de “Ele não explicou o porquê de estar com a boca cheia”.Você consegue reescrever essas frases com outras palavras?