Algumas questões da língua, mais que caráter
gramatical, têm aspecto pragmático, afetivo e, obviamente, culturais. Por
exemplo, aumentativo e diminutivo, referem-se à intensidade e ao tamanho.
"Cafezinho", "cãozinho", "bocarra", indicam o
tamanho; mas, "rapidão",
"zerinho", "primeirona", à tentativa de intensificar a
ordem e a rapidez do acontecimento, com efeito semelhante a superlativos.
Alguns nomes, de origem estrangeira, vêm com o diminutivo etimológico, mas,
mesmo assim, recebem um diminutivo carinhoso em português. Meu nome, Ivete, é
diminutivo de "Iva"; o "ete" é o sufixo diminutivo em
espanhol.
Muitos,
carinhosamente, me chamam de "Ivetinha". O diminutivo afetivo, em nossa língua é tão comum que, mesmo
homenzarrões, recebem-no no nome: “Zinho”, "Edinho",
"Juninho", "Fabinho", "Ronaldinho", são nome de jogadores de futebol que estamparam
manchetes. Isso quando o próprio “zinho” e “zinha”, isolados, não ganham significado de depreciação.
Mas há também os que me chamam de
"Ivetão", para caracterizar os meus 1,74 m e ironizar meu jeito
discreto de ser. O “ão” aí é aumentativo, como em “Betão”.
Interessante ainda, na língua,
quando palavras com terminações de aumentativo ou diminutivo designam
novos objetos e não tamanho. É o que ocorre em "cartão",
"película", "portão", "caminhão", por exemplo,
que não indicam "carta
grande", "pele pequena", "porta grande", "caminho
grande" , embora, de certa forma,
signifiquem isso também. A própria palavra "carinho", forma de
afeto, termina em "inho", mas não indica diminutivo.
Vou terminar esse textinho, para não
transformá-lo em um textão, mas você pode fazer uma listinha com outros exemplos.