segunda-feira, 10 de abril de 2017

Os diminutivos e aumentativos afetivos. Gosto deles.


 Algumas questões da língua, mais que caráter gramatical, têm aspecto pragmático, afetivo e, obviamente, culturais. Por exemplo, aumentativo e diminutivo, referem-se à intensidade e ao tamanho. "Cafezinho", "cãozinho", "bocarra", indicam o tamanho;  mas, "rapidão", "zerinho", "primeirona", à tentativa de intensificar a ordem e a rapidez do acontecimento, com efeito semelhante a superlativos. Alguns nomes, de origem estrangeira, vêm com o diminutivo etimológico, mas, mesmo assim, recebem um diminutivo carinhoso em português. Meu nome, Ivete, é diminutivo de "Iva"; o "ete" é o sufixo diminutivo em espanhol.

 Muitos, carinhosamente, me chamam de "Ivetinha". O diminutivo afetivo,  em nossa língua é tão comum que, mesmo homenzarrões, recebem-no no nome: “Zinho”, "Edinho", "Juninho", "Fabinho", "Ronaldinho", são  nome de jogadores de futebol que estamparam manchetes. Isso quando o próprio “zinho” e “zinha”, isolados, não  ganham significado de depreciação.

Mas há também os que me chamam de "Ivetão", para caracterizar os meus 1,74 m e ironizar meu jeito discreto de ser. O “ão” aí é aumentativo, como em  “Betão”.  Interessante ainda, na língua,  quando palavras com terminações de aumentativo ou diminutivo designam novos objetos e não tamanho. É o que ocorre em "cartão", "película", "portão", "caminhão", por exemplo, que não indicam  "carta grande", "pele pequena", "porta grande", "caminho grande" , embora, de certa forma,  signifiquem isso também. A própria palavra "carinho", forma de afeto, termina em "inho", mas não indica diminutivo.

Vou terminar esse textinho, para não transformá-lo em um textão, mas você pode fazer uma listinha com outros exemplos.

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