sábado, 22 de agosto de 2015

LENDO A MÚSICA QUE EU OUÇO



Às vezes não percebemos a poeticidade da música, as mensagens inspiradoras, ou pior, não percebemos quão cheia de palavrões ou de mensagens depreciativas elas podem se apresentar e, para o bem e para o mal, vamos repetindo e, de tão incorporados no discurso, tornam-se discursos comuns e vice-versa.
Ouço pessoas dizerem: “tenho saudades das músicas dos anos 90”. Músicas cujas letras, se me...
lembro bem, eram criticadas. Talvez, sob o discurso dessas mesmas pessoas, haja músicas atuais com letras tão mais depreciativas que, em comparação, as anteriores tornam-se mais poéticas ou aparentemente menos eróticas. Ocorre-me isso ao pensar na música Robocop gay, do grupo Mamonas Assassinas, sucesso em minha adolescência, e em algumas músicas atuais que abordam sexualidade e são cantadas e “dançadas” por crianças que mal pronunciam as palavras por inteiro. Consideravam a tal música dos anos 90 pobre, mas eu me rebelava: “pobre não é, pois é cheia de proparoxítonas, mantém uma métrica, as palavras foram selecionadas com coerência e coesão”. Explico: em todos os versos, apresentava como final uma palavra cuja sílaba forte (tônica) era a terceira, contando-se de trás para frente. Métrica corresponde ao padrão de sílabas, ou seja, o mesmo número de emissão de voz, que mesmo na leitura, associada à tonicidade das palavras, dá ritmo ao texto.
Quanto ao enredo, a música dos Mamonas traziam palavras que compunham coerentemente a temática escolhida e, nisso sim, talvez, permeie a polêmica: “concordo ou não com o que e com o como é dito?” E essa reflexão deve ocorrer sempre, em qualquer produção, à luz não de preconceitos mas de respeito às pessoas e às coisas. As situações aludidas no texto, fiéis à ou recriações da realidade, preferencialmente, eis minha opinião, além de diversão, devem trazer conhecimento. Como isso é feito, que recursos linguísticos são utilizados, qualificarão a música como um texto bem escrito, ou não. Hoje e no futuro.

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