sexta-feira, 17 de agosto de 2018

Sinônimos? Nem sempre


SINÔNIMOS? NEM SEMPRE!


Há associação mental de que existam sinônimos perfeitos: que algumas palavras possam ser utilizadas em lugar de outras sem perda de sentido, como resume a expressão: “ digam a mesma coisa, com termos diferentes”. Essa é uma associação errada, pois embora pertençam a mesmo contexto, apresentam matizes, senão divergências nos conceitos. Elencarei aqui uns exemplos.
É comum, no discurso contemporâneo, a palavra “educação” como a responsável por todos os problemas e, por isso, no mesmo esteio, a responsável pela solução dos problemas humanos. De fato, educação compreende aprendizagem ou aquisição dos valores, dos ritos e dos saberes sociais, incluindo as etiquetas de condutas entre as pessoas; por isso, “educar” compete a todas as esferas da sociedade, embora seja associado (apenas) à escola. Por ser abrangente e permear todas as relações humanas, “educar “ também perpassa as ações na escola, mas de maneira sistematizada, estabelecida, selecionada por reflexões e escopo construídos por agentes e profissionais a quem esse papel é atribuído, validado, limitado e avaliado com bases legais.

A transmissão e desenvolvimento de saberes e conhecimentos diferentes, visualizando as possibilidades históricas, culturais existentes é o papel da Educação Formal, institucionalizada e é “escolarização”. Apresentemos uma tentativa de definição para o termo: “escolarização” é, pois, o desenvolvimento técnico e científico para aquisição, aprimoramento e domínio de saberes que podem, senão ter sido vivenciados fora da escola, ser aplicados fora dela, a partir da gama de possibilidades que a escola mostra - com a dimensão reflexiva da diferença entre senso comum e senso crítico; da diferença e da confluência entre saber individual e saber coletivo; entre conhecimento empírico e conhecimento científico, acadêmico e institucionalizado.

Há congruências entre escolarização- que prioriza o coletivo- e educação, que foca o indivíduo (em destaque a educação familiar). Não deve haver alternância ou sobreposição por se considerar equivalência: há conjunção aditiva, mesmo em casos de internato e de escolarização domiciliar. Uma prioriza o coletivo; a outra, o indivíduo.

Outros dois termos utilizados equivocadamente são “informação” e “conhecimento”. Informação é o acesso a um dado ou a um fato que muitas vezes encerra em si mesmo, no próprio veículo e conteúdo, ou seja, o informado consegue reproduzir o que soube. “Conhecimento” é um saber mais profundo e abrangente, não se encerra na informação adquirida, pois é relacionada a outras: não é aceita passivamente, porque foi analisada, confrontada, criticada. Mais que reproduzir, o conhecedor também é capaz de produzir informação e conhecimento.
 Também a Escola tem o papel de produzir e despertar conhecimento, sobretudo em uma sociedade da informação. Há muita informação disponível, mas algumas equivocadas e, numa relação quase circular (ou criando um quiasmo), é necessário conhecimento para distingui-las e distingui-las para ter conhecimento.

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