SINÔNIMOS?
NEM SEMPRE!
Há associação mental de que existam sinônimos perfeitos: que algumas palavras possam ser utilizadas em lugar de outras sem perda de sentido, como resume a expressão: “ digam a mesma coisa, com termos diferentes”. Essa é uma associação errada, pois embora pertençam a mesmo contexto, apresentam matizes, senão divergências nos conceitos. Elencarei aqui uns exemplos.
É comum, no discurso contemporâneo, a palavra “educação” como a responsável por todos os problemas e, por isso, no mesmo esteio, a responsável pela solução dos problemas humanos. De fato, educação compreende aprendizagem ou aquisição dos valores, dos ritos e dos saberes sociais, incluindo as etiquetas de condutas entre as pessoas; por isso, “educar” compete a todas as esferas da sociedade, embora seja associado (apenas) à escola. Por ser abrangente e permear todas as relações humanas, “educar “ também perpassa as ações na escola, mas de maneira sistematizada, estabelecida, selecionada por reflexões e escopo construídos por agentes e profissionais a quem esse papel é atribuído, validado, limitado e avaliado com bases legais.
A transmissão e
desenvolvimento de saberes e conhecimentos diferentes, visualizando as
possibilidades históricas, culturais existentes é o papel da Educação Formal,
institucionalizada e é “escolarização”. Apresentemos uma tentativa de definição
para o termo: “escolarização” é, pois, o desenvolvimento técnico e científico
para aquisição, aprimoramento e domínio de saberes que podem, senão ter sido
vivenciados fora da escola, ser aplicados fora dela, a partir da gama de
possibilidades que a escola mostra - com a dimensão reflexiva da diferença
entre senso comum e senso crítico; da diferença e da confluência entre saber
individual e saber coletivo; entre conhecimento empírico e conhecimento
científico, acadêmico e institucionalizado.
Há congruências
entre escolarização- que prioriza o coletivo- e educação, que foca o indivíduo
(em destaque a educação familiar). Não deve haver alternância ou sobreposição
por se considerar equivalência: há conjunção aditiva, mesmo em casos de
internato e de escolarização domiciliar. Uma prioriza o coletivo; a outra, o
indivíduo.
Outros dois termos
utilizados equivocadamente são “informação” e “conhecimento”. Informação é o
acesso a um dado ou a um fato que muitas vezes encerra em si mesmo, no próprio
veículo e conteúdo, ou seja, o informado consegue reproduzir o que soube.
“Conhecimento” é um saber mais profundo e abrangente, não se encerra na
informação adquirida, pois é relacionada a outras: não é aceita passivamente,
porque foi analisada, confrontada, criticada. Mais que reproduzir, o conhecedor
também é capaz de produzir informação e conhecimento.
Também a Escola tem o papel de produzir e
despertar conhecimento, sobretudo em uma sociedade da informação. Há muita
informação disponível, mas algumas equivocadas e, numa relação quase circular
(ou criando um quiasmo), é necessário conhecimento para distingui-las e
distingui-las para ter conhecimento.
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